"Zeitgeist" - Meu "Review" sobre o novo álbum dos Smashing Pumpkins
Conforme solicitado pelo amigo b.m., que comentou o post anterior sobre o “Zeitgeist”, o novo álbum dos Smashing Pumpkins, posso dizer que:
Baixei antes mesmo do lançamento oficial, via torrent, com capinha e tudo. - É, são os novos tempos. Vazou e caiu na net. Queimei um cd e fui eu lá todo eufórico ouvi-lo fora do meu computador, em um cômodo da casa que eu pudesse estar totalmente centrado e envolvido apenas pela música.
Minha primeira audição do álbum foi frustrante. Isso porque eu já tinha ouvido o single “Tarantula” e tinha adorado! Aquilo era uma amostra do que verdadeiramente era os Pumpkins pesados, fortes e melódicos ao mesmo tempo. O Single realmente é muito bom!
O Álbum tem outras grandes faixas. Mas outras grandes faixas que você vai descobrindo com o tempo, assim como todo álbum dos Pumpkins. Pelo menos comigo foi assim: Cada álbum que eu comprava, eu ia me familiarizando com os ritmos, as linhas melódicas, as letras. Demorava. Não havia aquela fome saciada logo no início. Era como se você estivesse com fome e te colocassem um prato de comida estranho, que vc nunca tinha visto, nem sentido o gosto nem cheirado. Os gostos e aromas eram novos. E para que vc pudesse “consumir” aquilo com voracidade, você passaria por um processo de adaptação.
Meio maluco?
É, pode ser, mas é assim que acontece(ia) com as músicas dos Pumpkins.
No Zeitgeist, uma coisa que me chamou a atenção nas músicas era a pouca originalidade das linhas melódicas das composições, e, posso arriscar dizer que inconscientemente o uso de clichês melódicos de rock n roll em alguns trechos.
Veja, essa não é uma análise (puramente) técnica. É uma análise de um fã que tinha criado uma expectativa para a chegada de um novo álbum 7 anos após a ruptura da banda.
Talvez minha expectativa fosse alta demais, não sei. Mas este álbum, na minha humilde opinião fica abaixo do último, o Machina (2000).
Só acho Zeitgeist melhor do que o álbum Adore (1998), que foi o álbum que mais fugiu do que verdadeiramente definem os Pumpkins.
Mas mesmo assim, existem boas faixas, claro:
a faixa número 1 - Doomsday Clock, uma verdadeira porrada na orelha, logo que abre o CD. Um dos pontos altos do CD. Bateria e guitarras hiper pesadas. Um instrumental e uma linha melódica que lembra um pouco System of Down, só que com um toque pumpkins, off course.
Faixa numero 2 - 7 Shades Of Black - Variações de ritmos espertos na bateria, um muro de guitarras muito bem feito (como em todo o cd), e dinâmicas que lembram um pouco o rock progressivo.
Faixa número 3 - Bleeding the Orchid - Bem Pumpkins. Faixa melancólica, bons climas de guitarra e dobras de voz interessantíssimas. Ótima melodia vocal. No clima do album “Adore” um pouco, mas mais orgânico.
Faixa número 5 - Tarantula - o ponto alto do Album. Uma cacetada, literalmente. Linha de guitarras e baterias meio clichê de rock n roll, a lá Detroit Rock City, mas a melodia e a letra da musica não são nada clichês. A mais comercial, mas uma das mais iluminadas. O bom velho Billy está de volta. Final apoteótico: “I dont wanna be alone, i dont wanna be alone, I dont wanna be alone… “
Faixa número 6 - Starz - Climas interessantissimos, ótima Mixagem. Ótimas dobras de vocais. Seria uma musica maravilhosa, se o Billy não se resumisse a uma musica melodicamente tão repetitiva. Se torna chata, insossa e cansativa. Mas fica o registro que poderia ter sido uma “senhora canção”. Parece que ele parou no meio da composição.
Faixa número 9 - Bring The Light - Está entre as 4 melhores faixas do CD. Essa sim, recorre aos tempos de pumpkins. Boas linhas melódicas de guitarra, vocais e da combinação de acordes.
Faixa número 10 - Come On (Let’s Go) - Para mim, está entre as 2 melhores músicas do CD. Música pop, refrão lindo, linha melódica do rock alternativo anos 90, boa condução de batera do sr. chamberlin. Ótimas dinâmicas!! Essa musica faz a média da minha avaliação do CD subir bastante.
Faixa número 11 - For God and Country - Ótima música, ótima melodia, ajuda a sustentar a pseudo-politização do álbum, pelo título e pela letra da música. Se não fosse o arranjo meio “oriental”, esquisitão, a faixa poderia ter sido melhor aproveitada. Digo isso, porque a execução ao vivo desta música nos shows dos Pumpkins faz você se apaixonar pela música, automaticamente. Voz e violão, simples assim. Depois você ouve no álbum e se decepciona um pouco, ou não, vai ver eu sou chato pra caralho. hehe. Tudo bem, eu sei, eu sei. Mas o arranjo do álbum também tem uns climas interessantes. Vai do seu mood na hora.
Bom, pra finalizar todo o meu review, eu coloco Zeitgeist acima apenas de Álbuns como Adore(1998) e Pisces Iscariot (1994). De resto, os outros álbuns todos são melhores, na minha humilde e insuportável opinião.
Mas veja, não estamos falando de qualquer banda, estamos falando dos Smashing Pumpkins, e isso faz com que mesmo com minha avaliação, o álbum continue digno de estar no meio dos meus playlists mais tocados, por que não? Afinal, desde que gravei até agora já o ouvi diversas vezes, e a cada vez que ouço, gosto mais, e descubro novas faixas que eu odiava e hoje não as odeio tanto. Talvez amanhã eu descubra um “novo aroma” e a faça ser a minha “número 1″. Rsrs. Foi assim com o Machina, pode acontecer com esse álbum também.
Só pra rechear este post com mais informação, quero dizer que SURPREENDENTEMENTE para mim, o álbum Zeitgeist é o segundo álbum mais vendido na tabela de álbuns da Billboard, dá pra acreditar???
A banda, que largou o showbizz ha 7 anos, alegando cansaço e decepção com o cenário musical e muito por não sentirem uma euforia da grande mídia para cada novo trabalho lançado deles, voltam a tona, e, através do selo independente Roadrunner, estão entre os mais vendidos.
Ganharam 4 das 5 estrelinhas na avaliação da Revista Rolling Stone. Pô, as coisas aos poucos estão melhorando.
E há o boato de que no final do ano (entre Novembro e Dezembro) os Pumpkins estarão no Brasil. Mas ainda é só uma negociação, anunciada pelo próprio Billy Corgan para uma fã brasileira que mora nos States.
Acho que esse post já está grande demais e por enquanto, encerramos este assunto dos Pumpkins. Abraços! Valeu b.m.
Links Relacionados:
- Site Oficial - Smashing Pumpkins
- Avaliação Zeitgeist - Revista Rolling Stone
- Notícia sobre Billboard - Site Folha Online
Smashing Pumpkins - Tarantula - Clipe Oficial
Até que enfim saiu o clipe oficial.
Para quem conhece toda a videografia dos Pumpkins se decepciona um pouco com esse vídeo. Sei lá, sei lá…
Eu sei que eu sou um fã meio saudosista. Tenho que me confirmar com a realidade.
Os tempos são outros.
Mas…
Com tanto garoto em casa fazendo clips fantásticos, os caras num ambiente chroma, é coisa da TV Gazeta, no começo dos anos 80.
Tá certo que a indústria fonográfica está quase abolida, mas é possível se fazer grandes vídeos com investimentos baixíssimos hoje em dia. Ha não ser que a intenção foi esta mesmo: “Não, nós podemos fazer um ótimo clipe, mas vamos fazer algo bem retrô e crú, de propósito”.
Quer saber? Antes isso do que nada.
Bem vindos ao século 21.
