Os 100 Melhores Filmes da Década, segundo a The Times
O jornal inglês “The Times” publicou o ranking dos 100 melhores filmes desta década. Nesse Ranking aparece dois filmes do cineasta Fernando Meirelles: O Jardineiro Fiel (2005) e Cidade de Deus (2002), respectivamente na 52ª e 66ª posições.
Veja a lista completa dos 100 Melhores Filmes da Década de 2000, segundo jornal britânico “The Times”:
1 Caché (Michael Haneke, 2005)
2 A Supremacia Bourbe e O Ultimato Bourne (Paul Greengrass, 2004, 2007)
3 Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen, Ethan Coen, 2007)
4 O Homem-Urso (Werner Herzog, 2005)
5 Team America: Detonando o Mundo (Trey Parker, 2004)
6 Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2008)
7 O Último Rei da Escócia (Kevin Macdonald, 2006)
8 Cassino Royale (Martin Campbell, 2006)
9 A Rainha (Stephen Frears, 2006)
10 Hunger (Steve McQueen, 2008)
11 Borat (Larry Charles, 2006)
12 A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, 2006)
13 This Is England (Shane Meadows, 2007)
14 4 Meses, 3 Semanas & 2 Dias (Cristian Mungiu, 2007)
15 A Queda (Oliver Hirschbiegel, 2004)
16 Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, 2004)
17 O Segredo de Brokeback Mountain (Ang Lee, 2005)
18 Deixe Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008)
19 Vôo United 93 (Paul Greengrass, 2006)
20 Donnie Darko (Richard Kelly, 2001)
21 Boa Noite, e Boa Sorte (George Clooney, 2005)
22 Longe do Paraíso (Todd Haynes, 2002)
23 O Equilibrista (James Marsh, 2008)
24 Extermínio (Danny Boyle, 2002)
25 Dançando no Escuro (Lars Von Trier, 2000)
26 Minority Report (Steven Spielberg, 2002)
27 Sideways - Entre Umas e Outras (Alexander Payne, 2004)
28 O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, 2007)
29 Quero ser John Malkovich (Spike Jonze, 2000)
30 Irreversível (Gaspar Noé, 2002)
31 Iraq in Fragments (James Longley, 2006)
32 Gladiador (Ridley Scott, 2000)
33 Um casamento à Indiana (Mira Nair, 2002)
34 Procurando Nemo (Andrew Stanton/Lee Unkrich, 2003)
35 E Sua Mãe Também (Alfonso Cuarón, 2002)
36 Na Captura dos Friedmans (Andrew Jarecki, 2004)
37 Amor à Flor da Pele (Wong Kar Wai, 2000)
38 Cidade dos Sonhos (David Lynch, 2001)
39 Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, 2003)
40 Syriana (Stephen Gaghan, 2005)
41 Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón, 2006)
42 Os Incríveis (Brad Bird, 2004)
43 Batman - O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)
44 Sob a Areia (François Ozon, 2000)
45 Touching the Void (Kevin Macdonald, 2003)
46 Traffic (Steven Soderbergh, 2000)
47 My Summer of Love (Pawel Pawlikowski, 2004)
48 Pequena Miss Sunshine (Jonathan Dayton/Valerie Faris, 2006)
49 Ligeiramente Grávidos (Judd Apatow, 2007)
50 O Senhor dos Anéis: O retorno do Rei (Peter Jackson, 2003)
51 O Quarto do Filho (Nanni Moretti, 2001)
52 O Jardineiro Fiel (Fernando Meirelles, 2005)
53 Milk (Gus Van Sant, 2008)
54 Papai Noel às Avessas (Terry Zwigoff, 2003)
55 Chopper (Andrew Dominik, 2000)
56 Volver (Pedro Almodovar, 2006)
57 The Consequences of Love (Paolo Sorrentino, 2004)
58 Shaun of the Dead (Edgar Wright, 2004)
59 Ser e Ter (Nicolas Philibert, 2002)
60 A Lula e a Baleia (Noah Baumbach, 2005)
61 A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, 2001)
62 O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy (Adam McKay, 2004)
63 Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, 2007)
64 A Criança (Jean-Pierre Dardenne/Luc Dardenne, 2005)
65 Valsa Com Bashir (Ari Folman, 2008)
66 Cidade de Deus (Fernando Meirelles, Katia Lund, 2002)
67 Gomorra (Matteo Garrone, 2008)
68 Memento (Christopher Nolan, 2000)
69 Persépolis (Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi, 2007)
70 Entre os Muros da Escola (Laurent Cantet, 2008)
71 Monstros S/A (Pete Docter/David Silverman/lee Unkrich, 2001)
72 Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow, 2008)
73 De Tanto Bater, Meu Coração Parou (Jacques Audiard, 2005)
74 O Labirinto do Fauno (Guillermo Del Toro, 2006)
75 Fale com Ela (Pedro Almodóvar, 2002)
76 Control (Anton Corbijn, 2007)
77 Tiros em Columbine (Michael Moore, 2002)
78 About Schmidt (Alexander Payne, 2002)
79 Le Grand Voyage (Ismael Ferroukhi, 2004)
80 Eu, Você e Todos Nós (Miranda July, 2005)
81 In The Loop (Armando Iannucci, 2009)
82 Yi Yi: A One and a Two (Edward Yang, 2000)
83 Ventos da Liberdade (Ken Loach, 2006)
84 Hotel Ruanda (Terry George, 2004)
85 A Professora de Piano (Michael Haneke, 2001)
86 O Orfanato (Juan Antonio Bayona, 2007)
87 Time and Winds (Reha Erdem, 2006)
88 The Royal Tenenbaums (Wes Anderson, 2001)
89 Escola de Rock (Richard Linklater, 2003)
90 Penetras Bons de Bico (David Dobkin, 2005)
91 Lantana (Ray Lawrence, 2001)
92 Estranhos de Passagem (Stephen Frears, 2002)
93 O Clã das Adagas Voadoras (Zhang Yimou, 2004)
94 Uma Verdade Inconveniente (Davis Guggenheim, 2006)
95 Amores Brutos (Alejandro González Iñárritu, 2000)
96 Morvern Callar (Lynne Ramsay, 2002)
97 Sympathy for Lady Vengeance (Park Chan-Wook, 2005)
98 Crash (Paul Haggis, 2004)
99 Battle Royale (Kinji Fukasaku, 2000)
100 O Diabo Veste Prada (David Frankel, 2006)
Pulp Fiction, por Google Wave

Você já experimentou a versão preview do Google Wave? Se ainda não, saiba que apenas alguns serviços estão disponíveis nessa versão preview. O principal é a forma como as pessoas trocam mensagens e compartilham arquivos. Você pode simplesmente arrastar e soltar os contatos para selecionar quem participa da “conversação”, arrastar arquivos (vídeos, fotos, áudio) para compartilhar com os interlocutores e também conversar (digitar) em tempo real com as pessoas, como se fosse um Instant Messenger (msn, gtalk) com a diferença que os participantes viualizam em tempo real a sua digitação. Literalmente a mistura de um Email com um Instant Messenger.
Para demonstrar todas as possibilidades de comunicação (até o momento) através do Google Wave uma dupla de profissionais de Los Angeles que formam a Whirled Interactive fizeram um “mashup” do novo serviço do Google com uma das cenas mais marcantes do filme Pulp Fiction, clássico escrito e dirigido por Quentin Tarantino, onde os personagens Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) e Vincent Vega (John Travolta) vão ao apartamento de um rapaz cobrar a dívida do seu “patrão”, o gângster Marsellus Wallace. O áudio da cena é preservado mas ao invés das imagens originais eles reconstituiram a passagem explorando ao máximo os recursos de comunicação e compartilhamento do Wave.
Veja primeiro a cena original:
Agora veja a cena reconstituida no Google Wave:
Clipe: Venus Volts - “In Gold We Trust”
Coisas que ninguém nunca viu: Enterro de anão, foto de sogra na carteira, japonês morando em favela, cabeça de bacalhau, pesquisador do Ibope, ganhador da Mega-Sena e talvez: videoclipe e banda de rock brasileira, ambos com qualidade internacional.
Tirando as piadinhas e os exageros, é possível a partir de agora tirarmos este último item da lista. Você assistirá no player acima o clipe da banda brasileira Venus Volts, filmado no Vegas Club em São Paulo, dirigido por Leonardo Barbosa e Gabriel de Paula através da excelente produtora Colméia, que também produz programas para a web no site enxame.tv .
Sempre ouvi de amigos que também são músicos que o Rock brasileiro era ingênuo, provinciano, pastiche, que não havia background suficiente para se compor e produzir rock no hemisfério sul. É claro que há um certo exagero em meio às verdades, mas a banda Venus Volts (Campinas-SP) prova justamente o contrário: é possível fazer rock, criado e interpretado em inglês, com sacadas originais nas letras e arranjos impecáveis.
As fichas técnicas:
Venus Volts (Campinas - SP)
Trinity - Vocal
Pellê - Vocal e Guitarra
Filipe - Guitarra
Du - Bateria
Dinho - Baixo
*músicas compostas por Pellê
Produtora Colméia
Direção: Leonardo Barbosa / Gabriel de Paula
Assistente de Direção: Rafael Radesco
Direção de Fotografia: Raul Carielo
Direção de Arte: Suelen Oliveira
Direção de Produção: Aline Moura
1º Ass. de Camera: Deyvison Felix Sabino
2º Ass. de Camera: Fabiana de Marselha Cardoso
Elétrica: Carlos Pinheiro Araujo, Rogério de Oliveira Bento
Transporte: Vladimir de Moraes, Lafaet Leite de Lacerda
Edição: Gabriel de Paula
Color Correction: Lutcolor
Apoio: Universo Imagens , Vegas Club
Michael Jackson - Veja trechos do filme “This Is It”
Hoje é a estréia mundial do filme “This Is It”, com as gravações dos ensaios para a série de 50 shows que o cantor faria no O2 Arena, em Londres. A Sony Pictures liberou alguns trechos das gravações. Assista:
Detalhes - “Behind the Scenes” - Animações e Concepção
Trecho da música “Smooth Criminal” - This is It
Trecho da música “The Way You Make Me Feel” - This Is It
Trecho da música “Human Nature” - This Is It
Trechos de Gravações de ensaios das coreografias:
Mostra de Cinema de SP via Web e de Graça

É isso mesmo. Parece mentira mas não é. Os filmes da 33ª Mostra de Cinema de São Paulo também são exibidos gratuitamente em um projeto inovador na Internet, o site americano para cinéfilos “The Auteurs”. Tudo o que você precisa é de acesso banda larga.

Os filmes exibidos pelo site acompanham a agenda do dia, ou seja, só estão disponíveis para exibição os filmes da agenda do dia na mostra de Sampa. Todos os filmes são legendados em Inglês e a maioria está disponível para exibição gratuita.

O site “The Auteurs” é uma mistura de rede social para cinéfilos e streaming de vídeo. Você se cadastra, preenche seu perfil, suas preferências de estilos de cinema, foto e pode adicionar amigos e trocar mensagens. O site ainda faz uma busca para conectar pessoas da mesma cidade que queiram compartilhar conhecimentos ou até mesmo marcar uma sessão de cinema “offline”.
Mas a vedete do site são justamente as “projeções” das películas. O “The Auteurs” possui acervo para exibição de filmes restaurados, em parceria com a “World Cinema Foundation”, do cineasta Martin Scorcese.
A página de exibição do filme funciona exatamente como uma sala de cinema: durante o trailer que é exibido antes do filme, a página é totalmente branca e na hora que se inicia a exibição toda a “sala” escurece.


A empresa responsável pelo site “The Auteurs” é de Palo Alto, na Califórnia, local tradicional de empresas de tecnologia e ‘pontocom’s.
Vídeo: Conselho de Pedro Almodovar aos Roteiristas Novatos
Assista ao vídeo em que durante um Painel promovido pelo New York Times, o diretor Pedro Almodovar dá alguns conselhos aos aspirantes para se tornarem bons roteiristas de cinema:
Espere carregar o Player - MSN Vídeo
Peça Publicitária da MTV Antes da Estréia
Só para encerrar o assunto… Depois de escrever o post sobre o dia da estréia da MTV, fui procurar alguma notícia nos sites de jornais e não achei nada, pois o arquivo digitalizado da Folha só vai até 1994 e para pesquisar no acervo apenas indo lá. O do Estado de São Paulo não encontrei nada online. Acabei descobrindo um ótimo acervo digital da Revista Veja, onde encontrei uma peça publicitária da MTV três antes da estréia e uma reportagem de duas páginas quinze dias após.
Acabei me lembrando que meses antes da estréia, outdoors estavam espalhados pela cidade com este slogan: “Te Vejo na MTV”. Me lembro de um com o U2 na Avenida Rebouças e tenho a lembrança de um outro com a Astrid.
A peça publicitária da revista Veja era muito parecida com o Outdoor e com as publicadas em outros veículos impressos da época. Desta vez, com a cantora pop famosa na época, a Sinead O’Connor. Veja só:
A reportagem sobre a MTV, curiosamente só apareceu duas edições da revista Veja após a estréia da emissora. Como tanto a Veja como a MTV pertecem ao mesmo grupo, poderiam ter dado mais destaque uma semana antes da estréia e uma outra reportagem depois, com a festa e a repercussão. Pelo visto só vou encontrar o que eu quero nos jornais. Olhe só o que saiu:

Reportagem de duas páginas sobre a estréia da MTV na Revista Veja, 31 de outubro de 1990
E para terminar, a ampliação da foto dos quatro principais VJS que aparecem na reportagem:

Os quatro principais VJ's da Mtv Brasil em 1990: Astrid, Thunderbird, Maria Paula e Gastão
O Primeiro Dia da MTV no Brasil, em 1990, segundo minha memória.

Faz 19 anos que a MTV entrou no ar no Brasil. Dia 20 de outubro de 1990 - eu assisti (só pela tv, infelizmente) a inauguração da MTV Brasil, ao meio-dia, via parabólica e também no canal 32 UHF. Um dia antes conferi a imagem na TV - até então só rolava um relógio em contagem regressiva (que zeraria ao meio-dia) em cima da tela de Color Bars (sinal de barras coloridas que geralmente as emissoras colocam quando estão fora do ar ou no inicio da programação, que serve para a calibragem dos transmissores e monitores de tv) e uma inscrição em cima com o nome “TV ABRIL”.
Estava na casa do meu pai - então já separado de minha mãe - era sábado, acordei por volta das nove da manhã e já não havia mais ninguém por lá. Liguei a TV e a deixei viva com as “Colors Bars” na sala e fui fazer café. Voltei com a xícara na mão, andei pela casa, tentando passar o tempo lendo o jornal que meu pai assinava, vendo se alguém estava noticiando alguma coisa. De noticia em noticia olhava para a tela para ver se havia mudado alguma coisa. O relógio continuava em contagem regressiva. Faltam duas horas e pouco! O jornal dizia que já estava rolando uma festa de inauguração da MTV com os principais artistas pop brasileiros, todos os apresentadores e claro, toda a imprensa. Não lembro bem onde foi, acredito que num hotel ou casa noturna. Porra, eu não estava lá! O jornal também explicava, que com a franquia da MTV, importava-se também a denominação VJ (video-jóquei), um DJ que chama clipes na TV. Portanto, os apresentadores da MTV seriam chamados de VJ.
Eu sei que eu parecia um demente mas eu não podia conter a expectativa e ansiedade de ver aquela emissora no ar. Eu não queria perder nem um segundo de Color Bar, nem se mudar o logotipo, nem nada disso. Pronto, a tela colorida ficou preta e a inscrição mudou agora de “TV Abril” para o logotipo transado da MTV. E o relógio continua…
—> Meses antes de entrar no ar, a MTV/Abril publicou uma campanha em jornais, com um número de telefone, para que as pessoas ligassem, cadastrassem nome e endereço e recebessem em casa um caderno/manual de instruções com o logotipo da MTV, explicando o que era UHF e como deveria fazer para efetuar a instalação de um conversor e antena. Importante: nessa época, a esmagadora maioria dos aparelhos de TV só sintonizava VHF, que ia do canal 2 até o canal 13. Na maior parte dos casos, não existia “sintonizador” de canais UHF nativo no televisor, então a solução era ligar um conversor de UHF nele.
Comprava-se o aparelho e uma antena interna daquelas Plasmatic, que captava as ondas de VHF, FM e UHF. Plugava a antena interna no conversor, ligava o cabo do conversor na tv, sintonizava a TV no canal 3 (que também era usado para assistir videocassete) e ufa… sintonizava o canal 32 através do conversor de UHF. Eu já sabia instalar o conversor, mas liguei, me cadastrei e recebi o caderno de instruções, que guardo até hoje comigo.
Imagine a realidade que vivíamos aqui em São Paulo em 1990: na TV tínhamos os sete canais abertos VHF (cultura (2), TVS (4), Globo (5), Record (7), Manchete (9), Gazeta (11) e Bandeirantes (13)) e no UHF apenas um esboço do que um dia viria a ser a TVA, o Canal +, que transmitia a ESPN americana codificada e as vezes descodificada. Era só isso que havia. Nem podemos contar o Canal + como fonte de informação, porque nada acontecia num canal codificado onde só se podia ouvir o som. Saldo final: Sete emissoras de TV, Rádio FM, algumas revistas na banca, algumas salas de cinema, teatro e só. Isso porque estava em São Paulo. A situação pelo interiorzão do país era bem pior.
Na minha vida digital (que antecedeu meu dia-a-dia na BBS e Internet), já usava o Videotexto num computador Expert MSX (da gradiente) desde 1988, mas não havia muito o que fazer, era um serviço muito rudimentar, experimental, oferecido pela Telesp na cidade de São Paulo. Nem BBS, que eu comecei a utilizar por volta de 1993, existia de forma “oficial” ainda. Resumindo: o que a juventude desta época podia esperar para absorver novas informações, culturas, etc? Não muita coisa. A informação disponível era ’sofrível’ e a que vinha de fora chegava completamente distorcida ou muito diluída.

Edir Macedo já era dono da TV Record (desde novembro de 1989), Rainha da Sucata e Pantanal eram as novelas da época, Fernando Collor já era Presidente da República, a “modinha” popular da música ainda era a Lambada, nas “discotecas” tocava-se House e nossa Seleção Brasileira, da “era Dunga”, comandada pelo Lazaroni, no dia 24 de Junho foi eliminada pela Argentina na Copa do Mundo da Itália, com um gol de Caniggia aos 35 do segundo tempo. Como você pode perceber a realidade nessa época não era lá das mais empolgantes.
Pronto, faltam poucos segundos para o início das transmissões: quatro, três, dois, um, zero… Exatamente ao meio-dia do horário de Brasília, o vídeo de um foguete sendo lançado aparece na tela, junto com a frenética edição de imagens das vinhetas da MTV. Aparecem pela primeira vez a cara dos VJS: Astrid, Cuca, Thunderbird, Gastão, Zeca Camargo, Maria Paula, Rodrigo e mais alguns que não lembro bem o nome.
Para a estréia do canal foi preparado um “videoclipe comemorativo” que daria início a essa nova fase da mídia e da música brasileira. Foi escolhido um remix da música “Garota de Ipanema”, interpretado pela cantora Marina (Lima) e grande parte dele filmado na laje do prédio da nova emissora, no Sumaré, antigas instalações da TV TUPI, canal 4 de São Paulo, que foi fechada pelo Governo Militar em 1980. A versão remix da “Garota de Ipanema” sintetizava a modernidade misturada com uma canção genuinamente brasileira e internacionalmente conhecida. Assista primeiro o “Making-Of” do clipe:
Agora veja o resultado final, o primeiro vídeoclipe exibido na MTV Brasil, (apresentado pela VJ Cuca na estréia) com o logotipo da MTV estilizado com as cores do Brasil e o característico GC (gerador de caracteres) do começo da década de 90, com letras grandes na tela - Marina Lima - “Garota de Ipanema”:
Esse momento da exibição do videoclipe da Marina era acompanhado em tempo real na festa da MTV e obviamente por alguns poucos milhares de telespectadores que estavam ligados
A partir daí, DEZENAS de vinhetas, uma melhor que a outra, eram veiculadas entre os clipes, oriundas da MTV americana e de todas as outras franquias que compartilhavam material.
Alguns dos primeiros clipes que me lembro de veicularem foram:
- “Groove is in the Heart” do Dee Lite,
- “U Can’t Touch This” e “Pray” do MC Hammer,
- “Blaze of Glory” do Jon Bon Jovi,
- “Satisfaction” versão da banda Devo,
- Suicide Blonde do INXS
- Nothing Compares 2 U da Sinead O’Connor.
- “Musique Non Stop” - Kraftwerk São estes clipes que me lembro de forma mais nítida de aparecerem mais repetidamente nos primeiros dias.
- “Video Music” (programas de duração de uma ou duas horas, umas 3 ou 4 vezes ao dia) - Este programa é o mais antigo da MTV americana e deu origem ao nome do prêmio VMA - Video Music Awards. Era um programa genérico de Video Clipes, na primeira fase no Brasil apresentado pela VJ Cuca.
- “Non Stop” (uma hora inteira sem intervalos, só com clipes - aparecia uma ou duas vezes na grade diária) - talvez apresentado por Maria Paula ou Cuca, nas primeiras semanas.
- “Disk MTV” (diário, por volta das 17hs), apresentado pela Astrid;
- “Clássicos MTV” (talvez diário) apresentado pela VJ Dani
- “Ponto Zero” (semanal - lançamentos) apresentado por Thunderbird;
- “Rock Blocks” (talvez diário - blocos com clipes de um mesmo artista) - apresentado por Maria Paula
- “Rockstória” (semanal) Perfis e Docs de Artistas Internacionais, produzidos pela MTV americana e legendados em português.
- “MTV No Ar” (diário - versão brasileira do MTV NEWS) apresentado por Zeca Camargo;
- “Semana Rock” (resumo semanal notícias) apresentado por Zeca Camargo;
- “Cine MTV” (semanal - não me lembro quem apresentava)
- “Top 20 Brasil” (semanal);
- “Top 10 EUA” (semanal);
- “Saturday Night Live” (Sábados à noite, por volta das 23hs, legendado) - Tradicional programa humorístico americano.
- “Buzz MTV” (acredito que diário, por volta da meia-noite ou uma da manhã - Reportagens / documentários curtos e experimentais dos EUA. Legendado - Era a última atração da programação)
- “Yo! MTV Raps” - (semanal) apresentado pelo VJ Rodrigo
- “Lado B” - (não lembro se diário ou semanal - talvez Thunder apresentando)
- “Fúria Metal” (semanal) apresentado por Gastão
- “VMA - Video Music Awards” (premiação - anual) - transmissão ao vivo com tradução simultânea e reprises posteriormente.
Com a entrada da MTV Networks (Viacom International) em parceria com o Grupo Abril no Brasil, nascia a emissora de TV “MTV Brasil”. A partir daí um novo paradigma de cultura pop, televisão e entretenimento foi construído. Conseguíamos finalmente conhecer a “cara” e o estilo das bandas que ouvíamos no rádio e nos LP’s. Os lançamentos de clipes e bandas começaram a chegar diretamente até nós, sem escala. Encurtava-se ou em alguns casos anulava-se o ‘delay’ dos lançamentos musicais entre Estados Unidos-Europa e o Brasil. As vinhetas da emissora (muitas importadas de todas as franquias da MTV mas outras tupiniquins), a comunicação visual, o estilo dos VJ’s, alguns programas da MTV americana que enfim poderiam ser absorvidos quase em tempo real. Tudo era novo e providencial para mim, um moleque de 13 anos louco por música, por filmes, por novas mídias.
A MTV acentuou ainda mais a produção e o consumo musical no Brasil, pois colocou em pauta muitos artistas que até então não existiam no cenário comercial. O videoclipe que já era modestamente acompanhado em programas como Fantástico (Globo), Clip Trip (Gazeta) — com a apresentação de Beto Rivera e trilha Bomb The Bass (quem lembra?) — Clip Clip (Globo) com apresentação de Marcelo Tas, Som Pop (Tv Cultura) com apresentação de Kid Vinil, entre outros, carecia de acervo, de maior espaço nas grades e de um ‘timing malandro’ com os lançamentos do exterior. Não existia nada disso. Talvez por isso não houvesse uma maior valorização e ampliação deste mercado por aqui. Artistas, bandas e bandinhas começavam a pipocar em todos os lugares. O jovem daquela época começava a ser catalisado por um importante marco na mídia e na cultura do Brasil.
Menos de um mês depois pudemos acompanhar a cerimônia do Video Music Awards americano pela primeira vez, em que a banda Titãs com o videoclipe “Flores”, foi a representante da nova franquiada brasileira da MTV em Los Angeles.
Após a estréia da MTV, clipes começaram a ser produzidos com maior intensidade ano após ano, até que no ano de 1995, com mais de uma centena de videoclipes brasileiros produzidos nos últimos 12 meses, a MTV se viu na obrigação de criar uma versão tupiniquim da premiação do videoclipe americana, que em sua primeira versão se chamou “Video Music Awards Brasil”, apresentado por Marisa Orth ao vivo do Memorial da América Latina.
Sem dúvida, a MTV hoje não representa um décimo da importância e relevância que ela teve na sua estréia e nos seus primeiros anos de vida. Muito disso se deve ao fato de que atualmente temos uma enxurrada de informação num mundo de TV, TV a Cabo, Internet, Celular, Smartphones, Wireless, etc. Mas isso já é outra história.
Vaza Poster do Novo Filme do Michael Jackson - This Is It
Vazou na internet o poster do novo filme de Michael Jackson, “This is It”. O filme será lançado no circuito comercial de salas de cinema nos EUA e provavelmente no resto do mundo. “This Is It” é na realidade uma compilação das gravações dos ensaios de Michael Jackson (junto com bailarinos e banda) no estádio Staples Center para a turnê This Is It, que estrearia na O2 arena, em Londres, no mês de Julho de 2009. Após o circuito comercial nas salas de cinema, já se planeja a comercialização de DVD’s e Blue Ray do filme.
Veja o poster:
Supercolors
Ilustração de Designer Italiano utilizando a figura do monstro de Marshmallow do filme Os Caça-Fantasmas (The Ghostbusters), chamado “Stay Puft” - on Supercolors.it

monstro de marshmallow "Stay Puft" na ilustração "Supercolors"



